Fatores criminógenos ou psicocriminogênese

Este é um estudo que visa compreender um pouco acerca dos comportamentos delinquentes idealizados (criados) pela Criminologia, quais sejam:

1. Ego fraco ou Abulomania;

2. Desejo de lucro imediato;

3. Mimetismo;

4. Insensibilidade moral (psicopatia)

5. Necessidade de status e,

6. Espírito de rebeldia.

Os disturbios acima citados, a maioria deles, leva a pessoa a criminalidade em menor ou maior grau, tudo vai depender do meio em que vivem.

Muito embora a Criminologia Positiva, da “Era Lombrosiana” (grifo nosso), que por meio de suas sub escolas, Antropológica Criminal, Sociológica Criminal e Biológica Criminal tinha o criminoso/delinquente como um ser atávico e preso a sua deformação patológica (que nascia criminoso), hoje já se sabe que o ambiente pode fazer muita diferença, isso contraria, inclusive a formação genética de um indivíduo. Analisemos então sobre cada tipo de personalidade descrita pela Criminologia Moderna.

A pessoa com (1)Abulomania ou ego fraco é àquela que vulgarmente ou popularmente chamamos de “Maria vai com as outras”; é a pessoa que não sabe dizer não e portanto é facilmente influenciada. Um “amigo”, um pouco mais persuasivo, conseguirá levá-lo tanto ao bom quanto para o mau caminho – vai depender do meio em que vive ou das pessoas com quem convive; se for um ambiente de alta criminalidade, dificilmente conseguirá se “safar” de sua personalidade. A Sociologia Criminal explica isso, quando nos fala dos critérios psicosociais.

No entanto, existem outros tipos de personalidades; uma delas é o da pessoa que na ânsia pelo lucro fácil, daí para escolher a vida do crime é um passo. Para esse tipo de indivíduo estudar ou trabalhar, para que num futuro possa ser recompensado por isso, tolerar patrões, “suar a camisa” é perda de tempo e energia, portanto o  (2)Desejo de lucro imediato faz com ele minta, engane, trapaceie e até mate se necessário for (são exemplos: o Estelionatário, o Receptador, o ladrão – existem alguns que até entram para  política ou religião, exatamente para ter o tal lucro imediato).

No Mimetismo(3) a pessoa busca identificar-se, parecer-se, igualar-se ao indivíduo mimetisado. Há mimetismo para o bem e há quem busca “igualar-se” à persanalidades criminosas (porque isso é mais ‘bonito’).

Geralmente, nos locais onde há muita criminalidade, facções criminosas com “chefias de respeito”, os jovens ( principalmente eles), se espelham nessas pessoas e buscam ser iguais (fazem tatuagens como as do “idolatrado”, se vestem iguais e uns chegam ao cúmulo de tatuarem a figura dessa pessoa no corpo).

Segundo a Delegada e Professora em Criminologia Mônica Gamboa, várias pessoas foram presas, na época do “Fernandinho Beira Mar” que se comportavam dessa forma – o mimetisavam. É um comportamento típico de alguns animais, e a biologia explica isso como uma forma que os animais utilzam para se defender, agredir ou até reproduzir.

Insensibilidade Moral(4) é uma das características típicas do indivíduo psicopata. Estudiosos em Psiquiatria, em sua maioria, não o consideram um doente, mas sim alguém com transtorno de personalidade anti-social e “incurável” (já que não é uma doença). É um ser desprovido de remorso, empatia, um mentiroso, dissimulador que não sofre com a desgraça alheia – mas finge, e muitas vezes consegue que acreditem nele e que, dependendo do caso, sintam até pena com suas “estórias” mirabolantes de vida passada.

Não é como um doente mental que tem crises, a pessoa portadora desse tipo de “patologia” é de difícil identificação exatamente por isso. Consegue passar por quem quiser; é frio, calculista e também especialista em colocar a culpa nos outros. É um predador social, portanto capaz de praticar toda sorte de crimes, mesmo com quem o “acolheu ou acolhe” no grupo de amigos.

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Não sou Psiquiatra, sou Advogada, portanto não tenho condições de avaliar ou posicionar-me dizendo que uma pessoa com transtornos desse nível seja totalmente responsabilizada por seus atos, haja vista que estudos indicam que as atividades lobo-frontais e temporal deles tem baixa atividade – áreas responsáveis pela empatia, auto-controle e moralidade; o que os leva a cometer tantas atrocidades.

A pergunta é: tendo nascido com essa formação cerebral deficiente, seria, uma pessoa assim, responsável por seus atos?

Atulamente já se pode  verificar essa “deficiência” de formação pelo exame de tomografia PET, logo é uma “deficiência” nata e não cremos que ninguém decida ou queira nascer com quaisquer debilidades. Todavia não resta dúvida de que são indivíduos perigosos, que ninguém gostaria de tê-los por perto.

Entretanto, hoje já se sabe que existe mais de 1% da população no mundo com esse transtorno de personalidade – uns são totalmente integrados e acabam passando a vida toda sem cometer um crime sequer – mesmo assim, quem convive de perto sabe o quão frios e sem empatia são: pode ser marido, esposa, filho (tanto faz); o lar ou o ambiente de trabalho fica tóxico, ou um inferno (mesmo quando este não tocar num fio de cabelo do, ou dos infernizados). 

Um Neurocientista Americano de nome James Fallon, estudioso da mente Psicopática, em 2005, estudando com afinco sobre a Psicopatia descobriu que ele próprio tinha “cérebro psicopata”, fato esse que o levou a escrever um livro em que fala sobre gene X meio, mudando a opinião que tinha sobre a psicopatia; segundo ele, foi o meio em que foi criado que o transformou numa pessoa melhor do que poderia ter sido.

Mas, e alguém conhecendo uma pessoa com esse transtorno o “levaria para casa”?

Fica a pergunta. Em minha humilde opinião é o pior dos transtornos listados acima. Infelizmente não importa o fato de ter ou não origens biológicas, é uma pessoa a se temer.

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A Necessidade de Status(5) é o que leva muita gente, vulgarmente falando, a praticamente “colocar uma melância no pescoço e sair por aí”!  

A necessidade extrema de se aparecer pode ser de várias formas. Ao atingir o “topo” da realização pessoal busca algo mais: ser o “rei do camarote”; “ser o cara mal do pedaço”; “a mais gata”; “o poderoso chefão” , a partir disso menosprezam, pisam em muitos que passam pela frente para demonstrar o quanto “podem” – é a necessidade absoluta de ser visto e recordado.

Abraham Maslow foi um grande Psicólogo e estudioso do ser humano, a partir dos estudos que fezia elaborou uma pirâmide que chamou de “Pirâmide das necessidades” ,onde ele relacionou as necessidades humanas de acordo com uma hierarquia.

Em primeiro lugar vem a necessidade fisiológica como base da pirâmide, a pessoa tem que realizá-la por completo para poder “pensar” na segunda que é a de segurança, depois vem a terceira que é a social (amizades, aceitação em novos grupos, socialização, etc), somente supridas todas essas necessidades é que virão as de status/estima e por último a autorealização – é nesse momento, quando a pessoa já “tem tudo”, que poderá ser iniciado o “assédio moral” com algum funcionário mais frágil; quando fará de tudo para aparecer, seja gastando “rios de dinheiro” com mulheres, bebidas, no afã de virar “primeira página de revista de fofocas”; nem que para isso seja preciso utilizar-se de meios ilícitos, como assaltar um banco, por exemplo.

Por fim, no Espírito de rebeldia(6), o sujeito não se identifica com a idade biológica que tem; age como se fosse um adolescente irresponsável. São chamados de anômicos porque tem dificuldade em respeitar a lei. Um de seus desdobramentos é a “síndrome de Peter Pan”, e como diz a Delegada e Educadora em Criminologia Mônica Gamboa, é àquela pessoa popularmente conhecida como “Tiozão” ou a “Tiazona” “descolados”!

Não se importam em desrespeitar regras (soltar balões, fazer racha, etc), são espíritos rebeldes em idade avançada.

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A maioria dos distúrbios comportamentais aqui citados poderiam ser “superados” pelo portador caso desejasse muito ou cambiasse de meio; mas o fato é que grande parte das pessoas com personalidades delinquentes se realizam, são felizes sendo como são, portanto não se espelham em atitudes de indivíduos considerados normais e bom caráter – vão sempre considerar os ditos NORMAIS uns “otários”, que não sabem viver, os espertos são eles.

Elane Souza AdvocaciaElane Souza Advocacia
 

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